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Os dois amigos

 

Dois amigos se encontraram num bar, por acaso, e se puseram a conversar para tentar colocar em dia tudo o que havia acontecido desde de seu último encontro. Após algumas cervejas a conversa fluiu de coisas como trabalho e futebol para temas mais íntimos e particulares.

O primeiro se queixava de que seu casamento não ia nada bem e que sua mulher havia mudado muito desde quando se casaram. Que não parecia mais feliz com a relação e que por isso parecia fazer de tudo para desagradá-lo, forçando brigas e discussões intermináveis cada vez mais recorrentes. Achava defeito em tudo o que ele fazia ou pensava, desdenhava suas ideias e conquistas pessoais e profissionais, sempre colocando algum porém em tudo aquilo que ele se orgulhava de ter feito.

Não suportava mais aquela situação. Dizia que ela deveria agradecer de ter alguém que colocasse comida na mesa e pagasse as contas. Que outro trouxa igual a ele ela não encontraria por aí. Que ele só não estava com outra até agora porque não quis, pois as oportunidades não lhe faltavam.

O outro amigo, diferentemente, estava muito satisfeito com o seu casamento. Sua mulher fazia de tudo para agradá-lo e não media esforços para elogiá-lo em tudo quanto fazia. Apoiava seus projetos, e mesmo naqueles malsucedidos sempre achava uma palavra de conforto e estímulo. Deixava suas próprias coisas de lado só para auxiliá-lo em seus projetos. Dizia ter orgulho em poder ser o suporte e apoio para o marido.

Não conseguia imaginar uma vida diferente daquela e sem estar casado. Esse relacionamento completava sua vida e não conseguia se enxergar sem o acompanhamento da mulher em cada passo seu. Inclusive ela viria buscá-lo no bar após ter bebido, pois não gostava que ele andasse por aí sozinho, muito menos que dirigisse após ter bebido.

Ao se despedirem, cada um foi para a sua casa com a firme convicção de que o seu amigo não percebera inteiramente o que realmente é o casamento e que dele tinha uma visão bastante equivocada. Talvez ambos estivessem certos.

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