Pular para o conteúdo principal

O Livro de Perguntas

 

O mundo é cheio de coisas intrigantes para se ver. Muitas delas não parecem fazer muito sentido.

Outro dia na televisão disseram que é importante caminhar, andar de bicicleta e fazer outras atividades físicas para poder viver mais. Isso me fez pensar a respeito das tartarugas e dos coelhos. Os coelhos se movimentam muito, mas não vivem por muito tempo. Já as tartarugas só se movimentam o necessário. O mínimo possível. No entanto vivem centenas de anos, bem mais até do que os seres humanos.

Se para um ser humano a atividade física prolonga a vida, por que com o coelho não acontece o mesmo? E por que a tartaruga vive tanto se exercitando tão pouco? Será que cada animal possui algo que seja certo e errado especificamente para a sua espécie? Por que a regra não é a mesma para todos?

Às vezes eu me deito no tapete da sala e fico olhando para o teto me fazendo perguntas como essas. É interessante perguntar coisas para as quais parece que ainda não existem respostas. A gente se sente um pouco cientista.

Um dia talvez eu escreva um livro de perguntas. Nele vou colocar todas as minhas curiosidades que eu não consegui responder. Seria um livro bem diferente da maioria dos outros, eu acho. Geralmente os livros se dedicam a trazer respostas, desfazer as dúvidas. Eu gosto das dúvidas, fazem a gente viajar nas possibilidades.

As respostas são legais, mas quando você responde algo você acaba encerrando o assunto. A dúvida sempre deixa o assunto ali, para a gente voltar nele outra vez, e outra vez...

Um livro de perguntas iria deixar as pessoas pensando, cheias de assunto. Aí elas poderiam ficar tentando achar as respostas para as questões colocadas ali. Ou então pesquisariam vários livros de respostas para acharem a solução para cada uma delas. Ficariam bem inteligentes. Ou pelo menos arranjariam um jeito legal de passar o tempo.

Talvez as pessoas acabassem formando grupos de perguntadores, onde para cada resposta alguém criaria um novo questionamento, só para não deixar o hábito acabar.

Assim eu creio que teria mais companhia. E mais pessoas poderiam escrever também os seus livros de perguntas.

Acho que o mundo assim seria um bom lugar para se viver, sempre se encantando com tudo. Um mundo encantado. Um mundo encantador.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Julgamento

  Um dia qualquer acordei numa cama de hospital. A cabeça pesava um pouco e meus braços estavam presos por algemas nas beiras da maca em que eu estava. Não sabia por que eu estava ali, não sabia a quanto tempo, não me recordava nem mesmo do meu próprio nome. Demorou um tempo até que aparecesse alguém ali. Perguntei sobre o que estava acontecendo. Me disseram que logo eu saberia. Toda vez que algum médico ou enfermeira apareciam para me ver eu questionava novamente até que alguém me dissesse algo que esclarecesse a minha situação. Me disseram que já fazia alguns dias que eu estava ali, e agora que eu estava melhor certamente logo seria levado para a prisão. Questionei o motivo e só o que faziam era me olhar como se não acreditassem que realmente eu não soubesse do que se tratava. Só dois dias depois apareceram dois policiais, devidamente fardados e com semblante nada amistoso. Tentei me informar sobre a causa da minha prisão, já que eu não fazia ideia de nada que pudesse ter aco...

Desgraça e autopiedade

  Os dias têm sido estranhos. Desde aquele dia está sendo difícil levar a vida e fazer de conta que nada aconteceu. Não sei dizer se as coisas voltarão a ser o que eram antes. Depois que você vivencia algo marcante não dá para simplesmente virar as costas, passar uma borracha sobre o assunto e seguir em frente como se tudo estivesse normal. Fecho os olhos e aquilo tudo me volta na mente, vívido e atual, como se eu estivesse revivendo toda aquela cena novamente. Tento me distrair com o trabalho, um pouco de música, bebida e amigos, mas é só me distrair e novamente tudo retorna. Parece uma sombra, sempre colada, insistente, sorrateira como uma cobra esperando para dar o bote. Não sei mais se tento esquecer, se me esforço ou simplesmente tento viver a minha vida e deixar que o tempo aos poucos vá tirando isso da memória, levando cada vez mais para o fundo do baú das lembranças, deixando opaco, empoeirado, até não sobrar mais que uma vaga reminiscência. Mas quanto tempo será nece...

Voltando para casa

  Só quando se anda pela rua na madrugada é que se percebe bem o quanto a nossa mente nos enche com aquilo de pior que ela consegue produzir. A cada passo ela cria monstros e perigos em cada cantinho escuro e em cada rosto estranho que nos aparece. Era isso que João Otávio ia pensando pela rua enquanto caminhava voltando da balada. Queria ter bebido um pouco mais para criar coragem de passar sozinho por aquele caminho naquele horário. Mas agora já era tarde para se arrepender. Ele sempre passava por ali de carro, nunca havia reparado a quantidade de lâmpadas queimadas na avenida principal do bairro, quase metade do total. Um vulto se mexendo da direção do terreno baldio o deixou apreensivo, já ia se preparando para correr. De repente o vulto encontrou a luz que vinha do poste e o tranquilizou, era apenas um cachorro. Andou mais alguns minutos, já recomposto do susto, mas ainda apreensivo. Achou que estava sendo seguido, porém evitou olhar para trás na intenção de não confirmar ...